Arquivo para fevereiro \28\UTC 2010

Yes, I can.

E no fim das contas, a pressão não é tão grande. Ou se é, sou uma garota crescida o suficiente pra lidar com ela. Comecei a faculdade e, mesmo sem ter feito colegas, sinto-me feliz. Não faço parte da vida pop da sala e muito menos da faculdade, mas ali estou eu. A garota que entrou pelo PróUni, calada, até isolada. Mas eu estou bem ali, pra quem quiser ver. E eu estou bem.

Uma discussão com Vitória começou a semana, uma discussão com Fabiana a terminou. E aqui estou eu, bem, com inúmeros textos lidos, conceitos absorvidos. E bem, eu estou bem. Estou fazendo isso acontecer, e vou continuar fazendo.

Detesto terminar uma semana e começar outra fazendo contas, sem saber se a grana vai dar, calculando quanto posso gastar, quanto tenho, quanto preciso. A senha do meu cartão foi bloqueada, então a menos que ele já esteja pronto, não sei quando saberei o saldo dele. Pra comer, apenas mais 4 dias. Pra transporte, tenho a semana toda. Pros xerox, tenho apenas pro começo. O dinheiro só entra dia 5, o governo… bem, sabe-se lá quando deposita algo. Meus planejamentos financeiros podem não dar tão certo se tudo não ocorrer como preciso que seja, mas vamos ver no que dá. Mas ali estou eu, afinal; a primeira da família a entrar na faculdade.

Sou o orgulho da mãe, do pai, quem sabe do irmão. Minha avó… Esta com toda a certeza está sorrindo onde quer que esteja, por me ver onde eu sempre quis chegar. E ela me abençoa e me ajuda, eu sei que sim. E eu me sinto tão grata e tão bem, mas tão bem.

Ainda tenho minhas dúvidas e vontades. Porém, pra resolvê-las, é necessário muito mais do que escrever em um blog. E quem disse que a coragem chegou pra isso?

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She.

No sei se consigo lidar com a pressão de alguém que é tão dependente de mim. Talvez eu saiba sim como lidar, só não queira. Ela precisa ter a própria vida, os próprios sonhos e objetivos. Ninguém vive sem uma meta a alcançar. E quando vive, como eu vivi por algum tempo, não é viver. É só estar ali acordada todos os dias, fazendo as mesmas coisas, sem nunca pensar no que fará depois disso.

Quero poder viver a minha vida enquanto ela vive a dela, e ficar ao lado dela, finalmente, quando o destino assim permitir. É o que eu quero, mas e a coragem de dizer?

Finalmente.

Matriculada. O termo de concessão da bolsa está dentro de um envelope aqui perto, logo logo vou lê-lo inteiro. Qualquer coisa que faça o tempo passar mais rápido pra que eu comece logo, é válida. Mal acreditei quando peguei meus horários, minha sala (mesmo que digam que é a mais chata), meu RA. Finalmente consegui, estou dentro.

Precisarei de toda a ajuda e de toda a sorte agora. Estou contando as moedas, mas me sinto feliz por poder estudar, ter a oportunidade que ninguém em minha casa ou família teve. E eu vou orgulhá-los, e muito. Obrigada, Pai.

Ansiosa.

Sei que só vou acreditar quando estiver com meu horário de aulas em mãos, a pasta arrumada, a bolsa pronta e o passe escolar no bolso. Não sei, soa tudo tão como um sonho, que só acreditarei quando finalmente a rotina de universitária vier à tona.

Perto.

É amanhã que eu levo meus documentos. Me sinto tão feliz e empolgada. É meu sonho começando, é o meu sonho. Um sonho que perdura tanto tempo e que agora vai começar a fazer parte da minha realidade. Não me canso de repetir isso, mas é necessário quando, depois de pensar que absolutamente tudo tinha ido por água abaixo, tudo deu certo.

Talvez eu tenha mesmo nascido com o rabo virado pra Lua.

Coca-cola gelada.

Eu consegui. Fui aprovada no Próuni, quarta-feira vou na Facamp entregar os documentos necessários. E se Deus quiser eu saio de lá matriculada oficialmente.

É como um sonho que começa, finalmente, a se encaminhar na direção da realidade. E dessa vez é da minha realidade. Vou sair do emprego, o que é ruim porque eu bem que gostava de lá. Mas vou correr pro meu sonho, de braços bem abertos, e dando tudo de mim pra conseguir.

Segunda-feira eu vou ensinar pra garota nova tudo o que ela precisa saber, e vou ajudá-la. Espero que ela dê conta do recado e que ocupe bem o meu lugar, construindo o lugar dela.

Estou ansiosa. Só me preocupo com os gastos todos, mas nós vamos conseguir. Nós vamos, eu vou. Vou orgulhar meus pais, vou orgulhar minha namorada, meus amigos e a mim mesma. Vou ser a melhor fazendo aquilo que amo. E vou pagar a Coca-cola gelada que devo aos meninos, pela minha promessa. Obrigada, Pai.

Awkward.

Queria as coisas como eram antes. Sem meus amigos fazendo outros amigos e sem ver que a minha vida não mudou. Ah, é claro que mudou. Hoje apenas trabalho e uso a internet. Vejo meus amigos fazendo outros amigos, mudando, indo embora. Quanto a mim? Trabalho e internet, apenas.

Amanhã sai o resultado do Próuni. Sei que não passei. Ou que deveria ao menos agradecer pra sempre se por algum milagre houver um ‘aprovado’ diante do meu nome. Ou seja lá qual for a forma de avisar aos candidatos que eles foram selecionados.

Decidi continuar na Impacto. A oficina está crescendo, as chances de crescer junto são interessantes. Quem sabe um salário melhor, se meu trabalho se tornar mais eficiente e eu conseguir mais confiança, como disse minha mãe. E quem sabe um cargo maior, a carteira assinada. Tenho que me virar com o que posso ter, sem me perguntar os motivos de não ser desse ou daquele jeito. Devo aceitar as coisas como são e fazer o meu melhor pra tornar ainda melhor aquilo que tenho.

Não quero ver o resultado do trabalho. Quero poder chorar sem reprimendas ou comemorar sem culpa.