Pouco sobre muito.

Meus pressentimentos nunca me abandonam, independente do que eu faça para ignorá-los. Senti dor no peito, a dor que não passa, me avisa sobre algo que está para acontecer a alguém que amo. Enquanto eu sentia dor, Willy morria, Vitória chorava. É, eu sabia.

O emprego tem seus altos e baixos. Gosto de trabalhar, não gosto dos abusos. Gosto dos donos, reprovo certas atitudes. Gosto do cargo, o salário me desagrada.

A possibilidade de começar a faculdade ainda esse semestre fez renascer em mim a vontade de começar a construir o meu futuro. Deus, que eu seja aprovada, que eu consiga isso. Não que eu mereça muito de sua atenção agora, já que raramente rezo, e quando o faço é para pedir algo. Certo, Tu sabes que eu agradeço também a Ti. Mas não tanto quanto merece que eu faça. De qualquer forma, peço que me permita começar a faculdade agora, se assim for a Vossa vontade.

Sonhei essa noite que queria me assumir, e que realmente ia fazer isso. No sonho, me sentia cansada de esconder tudo. Mas agora acho que não faz tanta diferença. Vitória está tão longe e eu estou tão acostumada a não mencioná-la, que passa desapercebido por mim o fato de que ainda escondo quem eu sou. Invejo os casais que ficam sempre juntos, se beijam e andam de mãos dadas por aí sem qualquer reprovação. Ou aos casais gays que ficam juntos da mesma forma, com ou sem a aprovação dos que vêem, mas que ficam juntos. Quero provar o beijo de minha menina, mais do que tudo. Mais que o abraço, os carinhos, quero o beijo dela. E o que fazer quando ela vier pra Campinas? Não haverá mais qualquer chance de escondê-la. E é um caminho sem volta, pra mim. Me assumir não tem volta. Ela vir pra cá até tem, mas significaria que falhamos, que falhei com ela. O que fazer, Pai, o que fazer?

Pressentimentos.

Às vezes sinto coisas estranhas. Dores que surgem de repente. E às vezes eu sinto que sei de coisas que aconteceriam apenas algum tempo depois. Como uma intuição, um pressentimento. Coisas que eu avisei que iam acontecer bem antes que acontecessem, e quando eu no fim acertava… Só me restava dizer ‘eu avisei, eu sabia’. Não quero que seja assim agora.

Willy tem que ficar bem pra ela, ela tem que ficar bem pra mim. Nenhuma das partes desse elo pode se quebrar.

Sonho.

“Morzi, não aceita. Vou contar meu sonho aqui pra eu não esquecer porque foi lindo *-* Nós estávamos aqui em casa, e você tinha trazido uma amiga tua junto. Daí ela não sabia da gente, eu acho. Só sei que ela resolveu ir pro quintal pegar amora e jaboticaba (tem um pé de jaboticaba em casa rs) e daí eu tranquei a porta, sentei do teu lado no sofá e pedi um beijo. Aí você sorriu e sentou no meu colo e me beijou e (F) Acordei sentindo esse beijo, morzi ;; Tão bom. Daí de repente surgia meu irmão e a gente meio que se soltava, né. E pelo visto ele não sabia da gente, porque você sentava um pouco mais afastada e eu colocava uma almofada entre nós duas, segurava a tua mão e entrelaçava nossos dedos por baixo da almofada pra ele não ver hm_ Daí eu acordei ;;
Foi tão bom e ._. Ah, quero poder te pedir beijo logo e entrelaçar nossos dedos e te colocar no meu colo, uhum. E não aceita, morzi. Eu te amo ♥”

Desse sonho eu não quero me esquecer. Joseph se desculpava via MSN no próximo sonho, mas isso eu quero deletar da mente. Algo que não está tão próximo e nem parece possível acontecer.

Hmn.

Hoje foi um dia legal de trabalho. Aprendi a fazer lançamentos, dei entrada em mais algumas contas a pagar… Ah, sou a responsável por isso. Logo terei a minha senha de acesso ao sistema. E amanhã a Gislaine já avisou que vem mais parte, ou seja, responsabilidade pra mim. Mas estou feliz com isso, com o que faço. Só me falta a namorada ao meu lado pra que tudo fique ainda melhor. Ah, claro, e um salário maior.

Primeiro dia.

Comecei hoje no trabalho. É legal, eu gostei. Prefiro passar o dia diante de um computador, arquivos, folhas e telefone do que subir e descer escadas feito louca pra conquistar clientes com sapatos mais bonitos. Notei que não nasci mesmo pro comércio. Se bem que estou apenas aprendendo as funções e a falta de vontade do filho do patrão em me ensinar outras coisas atrapalha um pouco. Já sei atender ao telefone, registrar as contas a pagar, organizar pastas enormes, cadastrar clientes e até passar/receber um fax. Achei incrível. E trabalhando lá eu sinto como se estivesse fazendo alguma diferença na empresa. Não que seja uma grande empresa, mas mesmo em uma mecânica o que eu faço ajuda e muito. Gosto da sensação de ser responsável por algo, ter uma sala ‘pra mim’ e tudo o mais. Gosto, gosto.

Sinto dores nas costas, preciso arrumar uma boa posição pra trabalhar, a menos que queira substituir a antiga dor nos pés pela dor nas costas. Vou assistir Queer as Folk e deixar o tempo correr. Bom chegar em casa só às 18h… Noto que o dia praticamente se foi e resta muito pouco pra que ela volte.

Ah, sinto raiva de alguém. Quem ferra com qualquer amigo meu, merece ao menos a minha raiva. E é uma merda assumir, mas minha intuição nunca falha. Espero que a falha que eu tanto desejo seja a primeira.

Um Começo

Acabo de arrumar um emprego. Talvez não seja onde eu esperava ou eu não ganhe de começo o que eu pensei que ganharia, mas… Bem, é um começo. Aos 17 e sem qualquer experiência, algo que ao menos me dê algum dinheiro já é bem vindo. Espero sim que dê certo e que eu goste disso, do contrário eu chegarei à conclusão de que realmente não sei do que gosto.

Egoísmo.

Eu gostaria de não ver você da forma como vejo agora. Egoísta, mimada. Que só fica por perto quanto quer e se quer. Ou melhor, só fica por perto quando ela está perto também.

E eu digo ‘Tudo bem, pode ir’, ‘Tudo bem, não me importo’, mas… Como pode acreditar que não me importo? Às vezes me engano em relação a quão bem as pessoas me conhecem. E vejo que elas não conhecem um terço do que eu esperava que conhecessem. E então eu acabo aqui, me sentindo sozinha. Desejando apenas estar com ela. Sentir teus braços a me envolver, teus beijos, as carícias. Deixar que ela faça meu mal-estar ir embora com poucas palavras e algum carinho.

Não desista de mim, Vitória, porque eu não vou desistir de você.